terça-feira, 3 de março de 2009

Chico Science e Nação Zumbi - Da Lama Ao Caos (1994)

"Mangue - A Cena

"Emergência! Um choque rápido ou o Recife morre de infarto! Não é preciso ser médico pra saber que a maneira mais simples de parar o coração de um sujeito é obstruir suas veias. O modo mais rápido, também, de infartar e esvaziar a alma de uma cidade como o Recife é matar os seus rios e aterrar os seus estuários. O que fazer para não afundar na depressão crônica que paraliza os cidadãos? Como devolver o ânimo , deslobotomizar e recarregar as baterias da cidade? Simples! Basta injetar um pouco de energia na lama e estimular o que ainda resta de fertilidade nas veias do Recife.
"Em meados de 91 começou a ser gerado e articulado em vários pontos da cidade um núcleo de pesquisa e produção de idéias pop. O objetivo é engendrar um 'circuito energético', capaz de conectar as boas vibrações do mangues com a rede mundial de circulação de conceitos pop. Imagem símbolo, uma antena parabólica enfiada na lama.
"Os mangueboys e manguegirls são indivíduos interessados em quadrinhos, tv interativa, anti-psiquiatria, Bezerra da Silva, Hip-Hop, midiotia, artismo, música de rua, John Coltrane, acaso, sexo não virtual, conflitos étnicos e todos os avanços da química aplicada no terreno da alteração e expansão da consciência".

(extraído de "Caranguejos Com Cérebro", manifesto manguebit, por Fred Zeroquatro e Renato L)

Da Lama Ao Caos é o disco de estréia de Chico Science e o grupo Nação Zumbi. Prezando pela originalidade associada às propostas de reativação e reafirmação cultural do Recife, metrópole decadente no contexto, o disco traz misturas entre cultura pop internacional de alto nível, como o rap, o funk e o rock, e a cultura tradicional de Pernambuco, com muito maracatu de baque virado, cirandas, côco e mais. Tendo sido o mais reconhecido dos discos associados ao Movimento Mangue, este álbum é imprescindível em todos os sentidos, sendo reconhecido como grande obra musical brasileira.

1. Monólogo ao Pé do Ouvido
2. Banditismo Por Uma Questão de Classe
3. Rios, Pontes e Overdrives
4. A Cidade (Boa Noite do Velho Faceta [Amor de Criança][Música incidental])
5. A Praieira
6. Samba Makossa
7. Da Lama Ao Caos
8. Maracatu de Tiro Certeiro
9. Salustiano Song
10. Antene-se
11. Risoflora
12. Lixo do Mangue
13. Computadores Fazem Arte
14. Côco Dub (Afrociberdelia)

Chico Science e Nação Zumbi (neste disco):
Chico Science - Voz
Alexandre Dengue - Baixo
Lúcio Maia - Guitarra
Toca Ogan - Percussão e efeitos
Canhoto - Caixa
Gira - Tambor
Gilmar Bola 8 - Tambor
Jorge du Peixe - Tambor

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Tiken Jah Fakoly - Coup de Gueule (2004)

Nascido na Costa do Marfim, Tiken Jah Fakoly traz este belo disco, carregado de fortes melodias e ritmias que navegam pelas carregadas letras no francês repleto de acento africano, dando intensidade ao reggae roots desta figura pouco conhecida mas de destaque no cenário regueiro francês, africano e do mundo. A faixa de abertura já guia o ouvinte na proposta do trabalho, mostrando uma bela melodia da voz e letra sobre o delicioso arranjo em reggae. Disco massa, aproveitem.

1. Plus Rien Ne M'Etonne
2. Quitte Le Pouvoir
3. Aloumaye
4. Tonton d'America
5. Démé
6. Ca Va Faire Mal
7. Kuma
8. L'Afrique Doit du Fric
9. Sauver
10. Imadjigui
11. Allah
12. Ou Veux Tu Que j'Aille

Novos Baianos - Ferro Na Boneca (1970)

"Ferro Na Boneca" é um disco lindão de 1970 que soma numa maneira bastante tropicalista as múltiplas possibilidades sonoras do Brasil e do mundo. Com rock, mambo, samba e até o xote "A Casca de Banana Que Eu Pisei", os belos vocais de Paulinho, Baby Consuelo e Moraes Moreira se somam a uma bem trabalhada instrumentação, em arranjo despretensiosos, simples mas contagiantes. Primeiro álbum do grupo, é indispensável para todo e qualquer fanático por música brasileira, bastante diferente do famosíssimo "Acabou Chorare" e dos outros discos dos Novos Baianos. Conta também com A Cor do Som como banda de apoio nas gravações. Disco maravilhoso, da cabeça aos pés.

1. Ferro Na Boneca
2. Eu de Adjetivos
3. Outro Mambo, Outro Mundo
4. Colégio de Aplicação
5. A Casca de Banana Que Eu Pisei
6. Dona Nita e Dona Helena
7. Se Eu Quiser Eu Compro Flores
8. E o Samba Me Traiu
9. Baby Consuelo
10. Tangolete
11. Curto de Véu e Grinalda
12. Juventude Sexta e Sábado
13. De Vera
14. Psiu
15. 29 Beijos
16. Globo da Morte
17. Mini Planeta Íris
18. Volta Que o Mundo Dá

Novos Baianos:
Paulinho Boca de Cantor - Voz, percussão
Pepeu Gomes - Guitarra
Baby Consuelo - Voz, percussão
Moraes Moreira - Voz, violão

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Luiz Melodia - Mico de Circo (1978)


Terceiro disco de Luiz Melodia gravado em 78 começa com o clássico de Zé Kéti "A Voz do Morro" e passa por várias canções de Melodia com arranjos de metais do pessoal da Banda Black Rio, que estava causando estardalhaço na cena funk brasileira.

1. A Voz do Morro
2. Onde o Sol Bate e Se Firma
3. Presente Cotidiano
4. Giros de Sonho
5. O Morro Não Engana
6. Mulato Latino
7. Bata Com a Cabeça
8. Falando de Pobreza
9. Solando No Tempo
10. Fadas

segunda-feira, 2 de março de 2009

Alaíde Costa (1965)



Belo disco da única Alaíde Costa. Tem aqui uma sonoridade meio cool, com samba de bateria, trio de jazz, acompanhado por metais em algumas músicas. Aqui temos um punhado jóias que são as belíssimas canções "Sonho de um Carnaval"de Chico Buarque, "Terra de Ninguém" e "Eu Preciso Aprender a Ser Só" ambas de Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle, e "A Voz do Povo" de Luiz Vieira e João do Vale. Além disso, há uma bela canção " Tudo O Que é Meu" composta pela Alaíde com letra de Vinícius de Morais. Alaíde tem uma voz afinadíssima, com dicção e suavidade peculiares.Vale a pena conferir.


01 Sonho de um carnaval

02 Preconceito

03 Terra de ninguém

04 Estou só

05 História de uma criança

06 Tudo o que é meu

07 A voz do povo

08 Onde está você

09 O jangadeiro

10 Noite só

11 Preciso aprender a ser só

12 Diz

Clementina de Jesus - Clementina, Cadê Você? (1970)




Mais uma obra prima do samba. Como sempre de forma única e marcante, Quelé traz aqui canções que vão do partido alto à modas de viola.

Como toda a sua obra, esse disco é obrigatório para todos os adimiradores dos sambas e da cultura brasileira em geral.
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01 - Vai Saudade (Candeia / David da Portela)
02 - Deus Vos Salve a Casa Santa (Tradicional)
03 - Três Corimas - Ogum Megê (Tradicional) Bendito Louvado Ó Ganga (Tradicional) Lá no Mato Tem Ganga (Tradicional)
04 - A Maria Começa a Beber (Tradicional)
05 - Tomé (Tradicional)
06 - Sei Lá Mangueira (Paulinho da Viola / Hermínio Bello de Carvalho)
07 - Beira-mar (Tradicional)
08 - Duas Modas - Trancelin (Tradicional) A Velha do Acarajé (Tradicional)
09 - Sereia (Tradicional)
10 - Cercar Paca (Tradicional)
11 - A Coruja Comeu Meu Curió (Tradicional)
12 - A Mangueira É Lá no Céu (Maurício Tapajós / Hermínio Bello de Carvalho)

Clementina de Jesus - Marinheiro Só (1973)


Clementina de Jesus começou sua carreira de cantora tardiamente, tendo sido descoberta pelo grande compositor Hermínio Belo de Carvalho, em 1963, aos 62 anos de idade. Na época ela estava trabalhando como empregada doméstica. Sua voz tem um timbre muito grave, e foge aos padrões estéticos. Teve um importante papel na valorização da cultura afro-brasileira. Esse disco, lançado em 1973 traz a composição de Caetano, imortalizada por ela "Marinheiro Só", e destaco aqui duas modas que ela canta ao som de uma viola"Essa Nega Pede Mais", samba famoso, muito bonito na voz de Quelé (um dos apelidos de Clementina).

Hurtmold - Mestro (2004)

Misturando sonoridades mínimas à criação de grandiosos momentos sonoros, passando por influências absurdas que navegam entre eletrônicos, acústicos, vibrafones, melódicas e muito Tortoise nos ouvidos, Mestro é o disco que definiu a proposta instrumental do grupo paulista Hurtmold, que até então trouxera em seus dois discos anteriores canções repletas de influências indie e rock alternativo. As letras saem definitivamente, com exceção somente nas curtas frases de "Chuva Negra". Construído com dedicação, Mestro revela-se de fato uma obra prima de mestres músicos, excelente para ouvidos variados, principalmente por suas melodias que navegam a canção sem assustar pelo exagero ou entediar pela ausência. Puta disco!

1. Mestro
2. Amarelo é Vermelho
3. Chuva Negra
4. Miniotario
5. Sova
6. Quase 6 de Misticismo
7. Música Política Para Maradona Cantar

Hurtmold é:
Guilherme Granado - Teclado, vibrafone, melódica
Maurício Takara - Bateria, vibrafone, trompete
Marcos Gerez - Baixo
Mário Cappi - Guitarra
Fernando Cappi - Guitarra
Rogério Martins - Percussão e clarinete

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The Gladiators - Proverbial Reggae (1978)

Direto de Kingston, Jamaica, este é o segundo disco da banda The Gladiators, que vem em grande forma com reggae roots contagiante na mensagem e no som. Produzido por Prince Tony Robinson e lançado pela Virgin (relançado em CD em 2002). Destaque para "Can You Imagine How I Feel", "Dreadlocks The Time Is Now" e "The Best Things In Life".

1. Can You Imagine How I Feel
2. Dreadlocks The Time Is Now
3. Fly Away
4. Jah Works
5. Marvel Not
6. Music Makers From Jamaica
7. Stick a Bush
8. Stop Before You Go
9. The Best Things In Life
10. We'll Find The Blessing

Músicos:
Albert Griffiths - Voz, guitarra
Clinton Fearon - Voz, guitarra grave
Dallimore Sutherland - Voz, guitarra rítmica
Lloyd Parks - Baixo
Sly Dunbar - Bateria
Uziah Sticky Thompson - Percussão
Ansel Collins - Teclado
Earl Wire Lindo - Sintetizadores

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domingo, 1 de março de 2009

Mundo Livre S/A - Guentando a Ôia (1996)

O retorno de Zeroquatro e seu bando traz 13 novas canções do mangue, discutindo geopolítica, arte, Pernambuco, zapatismo, mulheres e muito mais. Repleto de letras temperadas sempre com a maestria no manejo de elementos variados (muita ironia) e a escolha perfeita das palavras, Guentando a Ôia é o segundo trabalho do Mundo Livre, e demonstra um aprimoramento musical do grupo (embora o primogênito Samba Esquema Noise seja sublime), que explora neste álbum influências do hardcore, funk, samba, rock e os tradicionais gêneros que atuam como palavras de ordem na produção do mangue. Com a produção de Carlos Eduardo Miranda, participação alucinada de Chico Science em "Destruindo a Camada de Ozônio" e uso livre de efeitos, barulhinhos e possibilidades, este é um disco incrível, repleto de multiplicidade e mensagens excelentes e velozes, encorpadas em meio à sonoridade envolvente do Mundo Livre.

1. Free World
2. Destruindo a Camada de Ozônio
3. Computadores Fazem Arte
4. Desafiando Roma
5. A Música Que Os Loucos Ouvem (Chupando Balas)
6. Tentando Entender As Mulheres
7. Girando em Torno do Sol
8. Seu Suor é o Melhor de Você
9. Militando na Contra-Informação
10. Leonor
11. Roendo Os Restos de Ronald Reagan
12. Pastilhas Coloridas
13. Guentando a Ôia

Mundo Livre S/A neste disco:
Fred Zeroquatro - Voz, guitarra e cavaquinho
Fábio Malandragem - Baixo
Tony Regalia - Bateria e voz
Otto Fuleiragem - Percussão e voz
Bactéria Maresia - Teclados, guitarra e voz

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