quinta-feira, 5 de março de 2009

Eddie - Sonic Mambo (1998)

Pioneiros do Manguebit, Eddie lançou seu primeiro disco somente no ano de 1998, pela gravadora estadunidense Roadrunner Records. É visível a perda de algumas das verdadeiras intenções sonoras do grupo, que tiveram limitações impostas pela gravadora que planejava um disco que os lançasse à indústria fonográfica. Muito do álbum lembra aquele rock nacional dos anos 90, representado principalmente por grupos como Charlie Brown Jr., mas apesar de tudo o disco vale por compôr a discografia desta banda maravilhosa, visível aqui com uma pegada mais rock e mais punk, como era primordialmente.
O fato do disco ter sido um fracasso de vendagem levou ainda ao abandono da banda pela gravadora, que por questões de contrato abandonou-os sem um tostão. A fuleragem parece ter marcado o grupo tão profundamente que o Eddie jamais gravou um disco com gravadoras novamente, tendo lançado seus três trabalhos posteriores de forma independente.

1. Videogamesongs
2. Pedra
3. Buraco de Bala
4. Sonic Mambo
5. O Dia Passa
6. Festejem
7. Os Pés à Jato
8. Eu Só Poderia Crer
9. Coqueiros
10. Olhando Os Dentes
11. Artú
12. Ontem Eu Sambei
13. Sofistic Balacobaco

Formação:
Fábio Trummer - Voz, guitarra
Roger Man - Baixo
Bernardo - Bateria
Fred Eremita - Percussão
Karina Buhr - Percussão, voz

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Nação Zumbi - Rádio S.Amb.A (2000)

Rádio S.Amb.A, designado pela sigla que faz referência a "Serviço Ambulante da Afrociberdelia" é o primeiro álbum gravado após a morte de Chico Science. No disco duplo "CSNZ" lançado após a morte do líder do grupo já contavam algumas canções gravadas sem ele, mas somente neste álbum que encontramos a força absoluta de Jorge Du Peixe assumindo os vocais envolvidos a novas sonoridades ainda mais experimentais.

Neste disco repleto de ritmos e melodias, samples e efeitos, eletrônicos e orgânicos, revela-se uma sonoridade apoiada em bases constantes, sobre as quais vão destacando-se as ritmias, as guitarradas e as letras cantadas e faladas como pinceladas compondo um grande bloco poderoso.

Muito groove presente, principalmente na cozinha maravilhosa de Dengue carregando as bases no baixo com os beats alucinados de Pupillo na bateria. Obra independente, lançada pela YB Music, densa e pesada, verdadeira obra-prima, de pouco reconhecimento na discografia da Nação. Não fosse a canção-single "Quando a Maré Encher", originalmente da banda Eddie, muitos jamais teriam ouvido falar neste disco. Participações inesquecíveis de Fred Zeroquatro, Maciel Salú, Éder "O" Rocha, Lia de Itamaracá e o trombonista Bocato. Aproveitem.


1. Do Mote do Doutor Charles Zambohead/Azogue
2. O Caranguejo da Praia das Virtudes (Madame Satã)
3. Lo-Fi Dream (Los Sebosos Postizos)
4. Arrancando as Tripas
5. Pela Orla dos Velhos Tempos
6. Remédios
7. O Carimbó/Côco Assassins (Bailado Capenga)
8. Quando a Maré Encher
9. Antromangue/Brasília
10. Na Balada do Rio Salgado
11. João Galafuz
12. Jornal da Morte
13. Zumbi X Zulu
14. Del Chifre's Beach



Músicos:
Pixel 3000 (Jorge du Peixe) - Voz
Jackson Bandeira (Lúcio Maia) - Guitarra
Djeik Sandino (Dengue) - Baixo
Fortrex (Pupillo) - Bateria e percussão
Amaro Satélito (Gilmar Bola 8) - Tambor e voz
Mocambo (Gira) - Tambor e voz
Tocaia (Toca Ogan) - Percussão e voz

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Herbie Hancock - Mr. Hands (1980)



Discão de Herbie Hancock, provavelmente um dos mais criativos e fortes desde o primeiro Head Hunters, uma penca de músicos colaboraram com Herbie para esse disco dar certo... na ultima música "Textures" herbie toca tudo, bateria, baixo, teclado e canta

piano/teclados/sintetizadores: Herbie Hancock (on all tracks)
sax tenor
: Bennie Maupin (on 5)
guitarra: Wah Wah Watson (on 3)
bass: Byron Miller (on 1)
Ron Carter (on 2)
Frddie Washington (on 3)
Jaco Pastorius (on 4)
Paul Jackson (on 5)
bateria
: Leon "Ndugu" Chancler (on 1)
Tony Williams (on 2)
Alpshonse Mouzen (on 3)
Harvey Mason (on 4,5)
percurssão: Bill Summers (on 1,4,5)
Sheila Escovedo (on 2,3)


Spiraling Prism


6:21

Calypso


6:41

Just Around the Corner


7:33

4 AM


5:20

Shiftless Shuffle


7:06

Textures


6:36

quarta-feira, 4 de março de 2009

Henry Cow - Leg End (1973)

Em maio de 1968, dois estudantes da Universidade de Cambridge (e exímios músicos) decidem montar uma banda. Os dois rapazes, um chamado Fred Frith e outro Tim Hodgkinson, inicialmente pretendiam montar apenas uma banda ou de jazz ou de blues, principal influência dos dois, porém, ambos tinham um gosto e uma visão musical muito mais ampla e diversificada para aprisionar seu recente projeto num só estilo.Ambos também decidiram que não precisavam de mídia para bajular ou serem bajulados, o que eles queriam mesmo era mostrar seu trabalho com total liberdade, expondo suas visões musicais e políticas sem rotulações ou preconceitos. Mas apesar de avessos a se "venderem" ou a aprisionar seu som, ambos nunca tiveram nenhum problema em tocar com outros grupos ou artistas que tivessem uma relação comercial melhor ou de mais sucesso que eles (como o Soft Machine, Pink Floyd e Mike Oldfield), ou que tivessem uma visão musical ainda mais radical que o grupo (como os percussores do Krautrock, o grupo alemão Faust), e isso posteriormente seria de grande valia para o engrandecimento artístico e musical da banda, que seria muito bem utilizada por eles.Decidiu-se também que outros músicos de igual calibre fossem chamados para fazer parte desse projeto e que seguissem da mesma influência política-musical de seus fundadores. Em 1972, Chris Cutler, um exímio baterista inglês, o baixista John greaves e o instrumentista Lindsay Cooper entram para o time do Henry Cow, se não fechando a formação clássica do grupo, pelo menos servindo de base para a primeira (e maravilhosa) aventura da banda em estúdio.Gravado entre o final de 1972 e meados de 1973, Legend sem dúvida é o marco inicial do movimento que iria ser definido no final dos anos 70 como RIO, ou Rock In Oposition. Aqui, mesmo ainda sofrendo de uma influência da escola fusion Canterburiana e do Crimson de 1969, os elementos tão peculiares ao grupo (Quebra de tempos sonoros, misturas de vários estilos musicais, melodias extremamente complexas e às vezes até difíceis de acompanhar) já se encontravam (e muito) nesse trabalho.A primeira música, a clássica "nirvana for mice" nos parece mostrar que a banda percorreria um som mais convencional em seu inicio, mas já nos surpreendendo pelos efeitos sonoros e musicais que a mesma nos mostra no decorrer de sua duração. Ao decorrer do álbum, percebemos então que Frith, Hendkinson e seus asseclas querem mesmo é fugir de qualquer estilo sonoro definido, como podemos perceber nas três partes de "Teenbeat" e mais especificamente em "With The Yellow Half-Moon And Blue Stat", onde solos descompassados se unem a ritmos precisos e complexos ao mesmo tempo. O grupo no final do disco nos coloca o caráter político que o mesmo apresentava, de forma às vezes radical, em seu som e performance (em alguns shows da banda, a bandeira da antiga União Soviética era hasteada no palco) na sombria "Nine Funerals Of The Citizen King", nela a banda canta de uma forma melancólica, porém altamente sombria, sobre as mazelas do capitalismo e os efeitos danosos que o mesmo impunha para com a sociedade, sem duvida fechando com chave de ouro esse trabalho diferente e inovador.A capa do álbum também é feita para fugir de qualquer visão estética convencional, colocando na capa apenas a foto de uma meia, fugindo da grandiosidade visual de Roger Deans, Hipgnosis e Paul Whiteheads tão vigentes no período.Sem dúvida, um disco maravilhoso, mas também um precursor, onde a partir dele, uma nova forma de se fazer o som progressivo seria realizada.FONTE



1. Nirvana For Mice(Frith)4:53


2. Amygdala(Hodgkinson)6:47


3. Teenbeat Introduction(Henry Cow)4:32


4. Teenbeat(Frith, Greaves)6:57


5. Nirvana (reprise)(Frith)1:11


6. With The Yellow Half-Moon And Blue Stat(Frith)2:26


7. Teenbeat (reprise)(Frith)5:07


8. The Tenth Chaffinch(Henry Cow)6:06


9. Nine Funerals Of The Citizen King (Hodgkinson)5:34


10.Bellycan(Henry Cow)3:19

Eddie - Original Olinda Style (2003)

O segundo disco da banda Eddie traz experimentações mais firmes na mistura de gêneros e sonoridades em relação ao primeiro álbum. Disco de feições ainda jovens, amadurecendo pela descoberta de possibilidades, mas maravilhoso em seu produto final. Exploração de ritmos regionais, em fusão a reggae, funk, ska, samba e mais, um dos discos menos rock da banda, repleto de participações de Erasto Vasconcelos, grande nome da velha guarda musical de Olinda. Entre outras, destaque para "Pode Me Chamar", "Urubu, Gabiru, Cachorro e Gente", "Não Vou Embora" e a deliciosa "Guia de Olinda".
Com relativa simplicidade, o grupo consegue captar feições do espírito da cidade de Olinda, trazendo também várias canções homenageando a querida cidade. Ainda traz versões de duas músicas remix, "Urubu, Gabiru, Cachorro e Gente" por Berna Vieira e "Guia de Olinda" pelo Bonsucesso Samba Clube. Grande disco.
1. Eu Soul Eddie
2. Sentado na Beira do Rio
3. Peixinhos
4. Pode Me Chamar
5. O Amargo
6. O Céu
7. Radistae
8. Urubu, Gabiru, Cachorro e Gente
9. Não Vou Embora
10. Olinda Cidade Eterna
11. Eu Ia
12. Futebol e Mulher
13. Falta de Sol
14. Guia de Olinda
15. Urubu, Gabiru, Cachorro e Gente (remix Berna Vieira)
16. Guia de Olinda (remix Bonsucesso Samba Clube)

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Eddie - Metropolitano (2006)

O terceiro disco da banda Eddie vem repleto de influências que compõem um som relativamente leve, embora em algumas faixas seja absolutamente presente a influência do rock, principalmente na sonoridade das guitarras. As canções são criadas todas pela banda, várias com a parceria de Roger Man (do Bonsucesso Samba Clube), e uma com a parceria do mestre Erasto Vasconcelos (a canção "Danada"). Ainda conta com releituras de "Maranguape", deliciosa canção de Erasto, e a clássica "Lealdade", de Wilson Baptista e Jorge de Castro. Presente também no disco a gravação definitiva de "Quando a Maré Encher", música originalmente da banda que foi regravada e popularizada principalmente nas versões da Nação Zumbi e de Cássia Eller no fim dos anos 90.
Disco musicalmente independente, realizado com patrocínio da Chesf e do Governo Federal, produzido por Fábio Trummer, em parceria com Leonardo Salazar e Salazarte Ltda. Participações únicas de, entre outros, Hugo Gila (mini korg), Roger Man (vocais), Karina Falcão (vocais), Erasto Vasconcelos (vocais) e Lux, o finado integrante do grupo francês Massilia Sound System. Disco fera.

1. Metropolitano
2. Maranguape
3. Fuleragem
4. As Flores e as Cores
5. Lealdade
6. Danada
7. P-Nós 2
8. As Lombrigas e os Vermes
9. Probabilidade
10. Ontem Eu Sambei
11. Vida Boa
12. As Moscas Bateram as Asas
13. Quando a Maré Encher

Banda Eddie:
Fábio Trummer - Voz, guitarra
Kiko Meira - Bateria
Rob Meira - Contrabaixo
Alexandre Ureia - Percussão, backing vocals
André Oliveira - Trumpete, Teclados, Samples

Eddie - Carnaval No Inferno (2008)

Depois de um largo período de espera o novo disco desta incrível banda olindense faz justiça e traz 11 canções fantásticas, explorando um leque largo de influências. 100% independente, se gostarem comprem! Das onze canções três são instrumentais, a bela "Desta Vez Foi Demais" que viaja por uma linha simples mas bonita de guitarra, "Metrodux", baseada num trecho da canção-título do disco anterior Metropolitano, e "Carnaval No Inferno", canção-título deste, carregadíssima criando uma atmosfera à altura da proposta.
O disco ainda conta com as fantásticas participações de Curumin na bateria (faixas 1 e 6), João do Cello, os trombonistas Nilsinho e Mestre Nico, os belíssimos vocais de Karina Buhr, o percussionista Da Lua e ainda a voz do mestre Erasto Vasconcelos na maravilhosa "Nada de Novo". No repertório contam composições do mestre Erasto ("O Baile Betinha"), Jorge du Peixe e Lúcio Maia ("Gafieira no Avenida", originalmente da trilha sonora do filme Amarelo Manga) e parceria de Fábio Trummer com Junio Barreto em "Quase Não Sobra Nada".
Com produção assinada pelo próprio Trummer em parceria com ninguém menos que o mestre Buguinha, esse é um disco indispensável, maravilhosa obra da nova música brasileira.

1. Bairro Novo/Casa Caiada
2. O Baile Betinha
3. Quase Não Sobra Nada
4. Carnaval No Inferno
5. Me Diga o Que Não Foi Legal
6. Gafieira no Avenida
7. Metrodux
8. Nada de Novo
9. Desequilíbrio
10. Eu Tô Cansado Dessa Merda
11. Desta Vez Foi Demais

Banda Eddie:
Fábio Trummer - Voz, guitarra
Alexandre Ureia - Voz, percussão
André Oliveira - Teclados, trumpete
Rob Meira - Baixo
Kiko Meira - Bateria

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Jimmy Smith & Wes Montgomery - The Dynamic Duo (1966)


A junção de dois jazzistas tais como Jimmy Smith e Wes Montgomery não poderia dar errado. O disco mescla perfeitamente o órgão grooveado de Smith e a galante guitarra de Wes. O guitarrista traz, como sempre, improvisos maravilhosos e um timbre inconfundível (ele usava apenas seu dedão para ferir as cordas). Sem dúvidas este é um dos melhores discos de parcerias inusitadas e um dos maiores clássicos do jazz.


Lado 1
Down by the Riverside
Night Train
Lado 2
James and Wes
13 (Death March)
Baby, It's Cold Outside
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Arranged and Conducted by Oliver Nelson








terça-feira, 3 de março de 2009

Esperanza Spalding - Junjo (2006)

Com perdão dos trocadilhos infames, eis aqui a nova Esperanza para a música atual. Sim, uma garota contra-baixista e cantora que, como muitas divas do jazz, possui uma história que já virou quase um clichê: infância muito pobre, talento musical premente e vários obstáculos de aparência intransponível a sua frente. No entanto, sua sonoridade se distancia do senso comum da alta elegância jazzística, compondo descons(c)ertantes melodias de quem, com certeza, ouviu muito Hermeto nessa vida. Com exceção da canção Cantora de Yala, as faixas são todas instrumentais (voz conta como instrumento, ok?) e extremamente arrojadas em todos os eixos da família musical: ritmo, harmonia, melodia. Surpreendemo-nos várias vezes com balanços que parecem brasileiros, e, quem diria: a segunda faixa Loro, é de autoria de Egberto Gismonti! Isto aí, garotada. A música é universal! Destaque para a faixa quatro, Mompouana, minha favorita. No último TIM Festival Esperanza deu as caras por aqui. Parabéns para quem já conhecia e pode desfrutar.

1 - The Peacocks
2 - Loro
3 - Humpty Dumpty
4 - Mompouana
5 - Perazuan
6 - Junjo
7 - Cantora de Yala
8 - Two Bad
9 - Perazela

Pablo Valero - Produtor Executivo
Esperanza Spalding- Vocal, baixo acústico e produtora
Aruan Ortiz- Piano
Francisco Mela - Bateria

John Coltrane - Giant Steps (1960)


O disco foi gravado em 59 e lançado em 60, considerado um dos melhores discos já lançados e de grande beleza. Todas as composições aqui presentes são de autoria de John Coltrane, que cria temas que vão da sonoridade mais frenética do hard bop às composições mais cool. Coltrane se encontra muito inspirado e improvisa de forma brilhante. Particularmente gosto muito dos improvisos de Giant Steps e Mr. PC, um blues simples perfeitamente construído. Também gosto muito da experiência sinestésica de ouvir Spiral e da beleza de Naima com uma sonoridade cool. No geral todas as faixas são fantásticas e só provam a genialidade do saxofonista.

1.Giant Steps
2.Cousin Mary
3.Countdown
4.Spiral
5.Syeeda's Song Flute
6.Naima
7.Mr. P.C
8.Giant Steps [alternate take]
9.Naima [alternate take]
10.Cousin Mary [alternate take]
11.Countdown[alternate take]
12 Syeeda's Song Flute [alternate take]
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John Coltrane - sax tenor
Tommy Flanagan - piano
Paul Chambers - contrabaixo
Art Taylor - bateria