quinta-feira, 14 de maio de 2009

Guinga - Cheio de Dedos (1996)


Com composições de rara inspiração, o violonista carioca traz músicas geniais aliadas a fantásticos arranjos e uma interpretação virtuosística. Guinga, nascido em 50 é um dos grandes compositores da MPB, e sem dúvidas um dos mais talentosos violonistas brasileiros. Nesse trabalho traz composições instrumentais e canções com parcerias significativas como, por exemplo, com Chico Buarque e Ed Motta. Aqui ele toca também com o grupo Nó em Pingo D'água. Uma parceria muito interessante que ele traz aqui está na faixa Me Gusta A Lagosta, com o pianista espanhol Chano Dominguez, cordas de Diapasón e percussão de José Eladio Amat. Esta música traz uma linguagem bem latina mesclada com o estilo de Guinga. Uma obra e tanto de um brasileiro genial.

1. Cheio de dedos
2. Dá o pé, Loro
3. Impressionados
4. Inventando moda
5. Nó na garganta
6. Me gusta a lagosta
7. Picotado
8. Aria de opereta
9. Divagar, quase pairando
10. Rio de exageros
11. Blanchiana
12. Desconcertante
13. Por trás de Brás de Pina
14. Sinuoso
15. Cheio e dedos


segunda-feira, 11 de maio de 2009

Nação Zumbi - Fome de Tudo (2007)

O mais recente disco da banda pernambucana conclui a trilogia iniciada com o álbum Futura. Se este trazia uma espécie de psicodelia preto e branco e seu sucessor, "Nação Zumbi", apresentava um aspecto brutalmente cru como o barro e o tom de sépia que criava a atmosfera (e a capa) do disco, "Fome de Tudo" explode colorido numa bela capa, idealizada como todas as outras por Jorge duPeixe (Pixel 3000) e Valentina Trajano, e em canções absolutamente temperadas das mais variadas possibilidades, engrossadas num caldo que se marca e destaca pela maestria com que são implementadas as misturas.
Feito para ser escutado em qualquer ordem, suas faixas são marcantes, cada uma com suas singularidades. A primeira faixa traz habituais características da banda, num groove levado pela levada constante da bateria de Pupillo, um riff marcante da guitarra de Lucio e letra que trafega entre o dúbio, intertextualidades, referências e múltiplas possibilidades de interpretação. O negócio vai aumentando de tamanho conforme seguimos por outras canções marcantes, como a ritmia desenfreada e em tempo menos convencional de "Carnaval", a atmosfera misteriosa e musicalmente simples embalada com o apoio da doce voz de Céu em "Inferno", o samba cheio de lama do mangue com direito a naipe pesado de metais que se apresenta em "Nascedouro", o peso intenso do lado mais rock/metal da Nação na faixa-título "Fome de Tudo", a beleza do sentimento dividido com a participação vocal de Junio Barreto em "Toda Surdez Será Castigada" e o desfecho grandioso com "No Olimpo", ao qual qualquer tentativa de comentário seria em vão se comparada às capacidades ilimitadas da canção.
A equipe da Nação vem altamente equipada, com o apoio ainda de nomes de incalculável responsa, como a produção associada com Mario Caldato Jr., a participação da clavineta de Money Mark Nishita (Beastie Boys), dedos de Buguinha Dub, Daniel Bózio, as vozes d Céu e Junio Barreto, o trumpete de Guizado, as teclas de Marcelo Jeneci, a percussão do camarada Gustavo Da Lua, além da Orquestra Popular do Recife e o maestro Ademir Araújo, que assina o arranjo de metais em "Nascedouro" junto a Ivan do Espírito Santo.
Não deixe de baixar esta obra-prima de música brasileira de ponta!

1. Bossa Nostra
2. Infeste
3. Carnaval
4. Inferno
5. Nascedouro
6. Onde Tenho Que Ir
7. Assustado
8. Fome de Tudo
9. Toda Surdez Será Castigada
10. A Culpa
11. Originais do Sonho
12. No Olimpo

Nação Zumbi:
Dengue - Baixo
Gilmar Bola 8 - Tambor e percussão
Jorge Du Peixe - Voz, sampler e percussão
Lúcio Maia - Guitarras, microkorg, cítara, violão e programações
Pupillo - Bateria, programações, tambor e percussão
Toca Ogan - Percussão e voz

Leia também a resenha de Fred Zeroquatro em http://nacaozumbi.com.br/

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Exploding Star Orchestra with Bill Dixon


Explonding Star Orchestra é um projeto montado e dirigido pelo trompetista Rob Mazurek, conhecido aqui no Brasil pelo grupo SP Underground, em conjunto com integrantes do Hurtmold e por acompanhar Marcelo Camelo na sua empreitada solo.

Formada por por quinze músicos de Chicago (inegrantes de bandas como The Eternals, Tortoise, Isotope 127, Vandermark 5 e outras), o grupo faz free jazz de altíssima qualidade com direito a discursos a la Sun Ra e participação de Bill Dixon, trompetista do Art Ensembles of Chicago.

A orquestra passou pelo Brasil final de semana passado (8 e 9 de maio) e fez uma barulheira no SESC Vila Mariana com três integrantes a menos substituidos pelo mestre Roscoe (Art Ensemble), Maurício Takara e Guilherme Granado (ambos do Hurtmold). Esse disco é o último mas vale procurar os outros dois anteriores.

sábado, 9 de maio de 2009

Bocato Group - Acid Samba (2001)

Acid Samba traz os soms de projeto solo do bocato, não como trombonista de uma outra banda, o que bocato mais faz e muito bem. Bocato vem acompanhado de um trompete.. arranjos fortes de metais encima de bases grooveadas de baixo e bateria.

1. Living in Jaçanã
2. Ilha Bela
3. Lili’s Groove
4. Bananeira
5. Lausanne
6. Acid Samba
7. Maybe Sometimes
8. We Want Samba
9. Kizumba
10. Ilha Bela (Remix)
11. Betinho

Bocato: Trombone,
Cláudio Faria: Trompete,
Marco Xabu: Percussão,
Marquinho Costa: Bateria,
Renato Bordon: Baixo Elétrico,
Sérgio Boré: Percussão,
Tiago Costa: Teclados

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Beirut - The Flying Club Cup (2007)

Segundo e último álbum lançado do Beirut, banda estadunidense que soma elementos da música do Leste Europeu, influências folclóricas e multi-culturais, somando num resultado com algumas pitadas de rock e world. A experiência é menos intensa que a realizada por algumas bandas consagradas por este tipo de fusão (como Balkan Beat Box e Gogol Bordello), mas não deixa de ser interessante e soar bem aos ouvidos.

1. A Call To Arms
2. Nantes
3. A Sunday Smile
4. Guyamas Sonora
5. La Banlieue
6. Cliquot
7. The Penalty
8. Forks And Knives (La Fête)
9. In The Mausoleum
10. Un Dernier Verre (Pour La Route)
11. Cherbourg
12. St. Apollonia
13. The Flying Club Cup

Músicos:
Zach Condon - Voz, ukulele, trompa, trumpete
Owen Pallett - Violino, órgão, voz
Jon Natchez - Clarinete, flauta, melódica
Kendrick Strauch - Piano
Perrin Cloutier - Acordeão, contrabaixo, voz
Nick Petree - Percussão, voz
Kristin Ferebee - Backing vocal
Jason Poranski - Guitarra, violão, bandolim
Paul Collins - Bouzoki

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Lee Morgan - Charisma (1966)


Lee Morgan juntou-se com mais 5 músicos e liderou esse sexteto fantástico. Criou temas com as mais diversas sonoridades e arranjos impecáveis. A qualidade desse disco se justifica também na formação desse sexteto que traz nomes como Paul Chambers, Hank Mobley, Higgins, Cedar Walton entre outros. Gosto muito de The Murphy Man, Rainy Night, Sweet Honey Bee e Somethin' Cute. A capa do disco também me chama a atenção. Enfim, achei que talvez o pessoal gostasse.


1. Hey Chico
2. Somethin' Cute
3. Rainy Night
4. Sweet Honey Bee
5. The Murphy Man
6. The Double Up
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Lee Morgan - trompete
Jackie McLean - sax alto
Hank Mobley - sax tenor
Cedar Walton - piano
Paul Chambers - contrabaixo
Billy Higgins - bateria

terça-feira, 5 de maio de 2009

Nação Zumbi - Futura (2005)

Grande álbum do grupo pernambucano, trazendo experimentações sonoras que caracterizam-se firmemente por uma energia que engloba as 12 canções e por elas percorre numa linear sensação de psicodelia em preto e branco, como a capa do disco já indica.
O disco começa a todo vapor com a conhecida "Hoje, Amanhã e Depois", nascida para explodir nas caixas de som à melhor maneira da Nação Zumbi, somando efeitos eletrônicos a uma base marcante, uma letra constante e influências rítmicas das sonoridades de Pernambuco; Passa para "Na Hora De Ir", que entrou para a trilha sonora do filme "Cão Sem Dono", de Beto Brant, carregada de intensa energia sem espaço para declinar o peso da mensagem; "Memorando" universaliza as referências da Nação, como é habitual no trabalho do grupo, aqui seguindo pela exploração de uma cíclica simplicidade na construção de uma elaborada experiência psicodélica-sertaneja; Segue para "A Ilha", poderosa no seu ritmo que lembra a caminhada de um elefante: Lenta e pesada.
E por aí o disco vai, entranhando-se cada vez mais no universo peculiar que soma futurismo, psicodelia, densidade e muito mais, tudo numa atmosfera incolor, resultando num trabalho de qualidades e características ímpares. Ainda soma grandes participações, como as de Fernando Catatau, Mauricio Takara, Kassin e Scotty Hard, que ainda assina a produção do trabalho. Grande disco.

1. Hoje, Amanhã e Depois
2. Na Hora de Ir
3. Memorando
4. A Ilha
5. Respirando
6. Voyager
7. Expresso da Elétrica Avenida
8. Nebulosa
9. Sem Preço
10. Vai Buscar
11. Pode Acreditar
12. Futura

Nação Zumbi:
Jorge DuPeixe - Voz, efeitos e sintetizadores
Dengue - Baixo
Lucio Maia - Guitarra
Toca Ogan - Percussão
Gilmar Bola 8 - Percussão
Pupillo - Bateria e percussão

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segunda-feira, 4 de maio de 2009

Nação Zumbi - Nação Zumbi (2006)

"[...] Ao contrário dos discos anteriores, todos chapados de forte conceituação, dessa vez a Tropa de Todos os Baques só se valeu de um punhado de canções poderosas e originais ­ na melhor tradição dos grandes discos de soul dos anos sessenta. Tanto é que o trabalho leva apenas o nome da banda."

O trecho da resenha de Rodrigo Brandão, voz do Mamelo Sound System, sintetiza o espírito deste álbum da Nação Zumbi que apresenta com clareza e peso alguns referenciais para a construção da sonoridade do grupo após a morte de Chico Science.As letras são acidamente bem desenvolvidas, duas delas em parcerias: "Propaganda", com Audiolandro (Mamelo) e "O Fogo Anda Comigo", com Roger Man (Bonsucesso Samba Clube, ex-Eddie). Outras figuras externas envolvem-se no projeto, com participações da voz de Nina Miranda e Dona Cila, Fernando Catatau com sua genialidade no manejo das guitarras, DJ Marcelinho e John Medeski, brilhante entidade do groove no órgão.Autêntico, simples e espontâneo, este é um disco que marca sonoramente alguns traços do perfil desta importante banda brasileira.

1. Blunt Of Judah
2. Mormaço
3. Propaganda
4. Amnésia Express
5. Meu Maracatu Pesa Uma Tonelada
6. Faz Tempo
7. Prato de Flores
8. Know How
9. Ogan di Bele
10. Caldo de Cana
11. O Fogo Anda Comigo
12. Tempo Amarelo

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terça-feira, 28 de abril de 2009

Chico Science e Nação Zumbi - Afrociberdelia (1996)

O segundo disco da banda vem carregado com grooves psicodélicos e variando suas múltiplas direções entre as possibilidades das influências exploradas, que vão das sonoridades pernambucanas e brasileiras às variadas correntes sonoras mundo afora. O resultado é impressionante, bastante diferente do primeiro disco, e lançando bases para possibilidades sonoras que seriam exploradas pela Nação Zumbi após a morte de Chico Science. Cada integrante marca sua presença com um absoluto domínio da linguagem de seu instrumento, integrando com qualidade o conjunto e promovendo um resultado de altíssimo nível. Não deixe de baixar!

1. Mateus Enter
2. O Cidadão do Mundo
3. Etnia
4. Quilombo Groove
5. Macô
6. Um Passeio no Mundo Livre
7. Samba do Lado
8. Maracatu Atômico
9. O Encontro de Isaac Asimov Com Santos Dumont no Céu
10. Corpo de Lama
11. Sobremesa
12. Manguetown
13. Um Satélite Na Cabeça
14. Baião Ambiental
15. Sangue de Bairro
16. Enquanto o Mundo Explode
17. Interlude Zumbi
18. Criança de Domingo
19. Amor de Muito
20. Samidarish
21. Maracatu Atômico (Atomic Version)
22. Maracatu Atômico (Ragga Mix)
23. Maracatu Atômico (Trip Hop)

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quinta-feira, 23 de abril de 2009

Taiguara - Imyra, Tayra, Ipy (1976)


Neste lindo disco, Taiguara prova ser um artista de capacidade criativa ilimitada. Aqui, seu talento e sua sensibilidade fluem em uma sonoridade cheia, completa. É um trabalho surpreendentemente maduro, tanto em sua música como em sua poesia, de altíssimo nível, com destaque para "As Sete Cenas de Imyra". Taiguara, mais conhecido pelas suas canções de amor pulou de cabeça em sua maior fonte de inspiração, os indígenas, criando o álbum mais experimental de sua carreira, com diversas críticas sutis à ditadura militar. O disco, lançado em 1976, foi comercializado a princípio, porém depois de o seu show de estréia ter sido censurado um dia antes do espetáculo, no dia 30 de abril, Taiguara muito decepcionado se exilou, e pouco depois o disco saiu de circulação. Incompreensivelmente, o disco não foi passado para cd ainda, e só pode ser encontrado nesse formato no Japão, o que faz com que nós, brasileiros fiquemos a uma fortuna de adiquiri-lo. Baixem.


P.S.: Ah, só pra avisar vocês, e talvez para convencê-los, aqui vai a ficha técnica do disco...

Ficha Técnica

Arranjos e orquestrações: Taiguara/Hermeto Pascoal
Regência e produção: Wagner Tiso
Diretor artístico: Miltom Miranda
Diretor de produção: Renato Correa
Técnicos de gravação: Toninho/Dacy/Roberto/Serginho
Técnico de remixagem: Nivaldo Duarte
Corte: Osmar Furtado
Montagem: Ladimar
Layout da capa: Thomas Michael Lewinsohn
Desenhos: Taiguara


Músicos:
Taiguara: Voz/piano/sintetizador/mellotron/flauta
Nivaldo Ornellas: Sax soprano/tenor/flauta
Toninho Horta: Violão
Jacquinho Morelembaun: Cello
Novelli: Baixo acústico
Paulinho Braga: Bateria/percussão em Três Pontas
Zé Eduardo: Bateria/percussão em A volta do pássaro ameríndio
Ubirajara Silva: Bandoneon em Primeira bateria
Lucia Morelembaun: Harpa
Hermeto Pascoal: Flauta/flauta baixo
Mauro Senise: Flauta
Neco: Cavaquinho
Vozes: Lucinha/Malu/Eva/Marizinha/Novelli/Nivaldo Ornellas/Wagner Tiso

De nada!